O que fazer depois que o fogo apaga? Antes vejo que não precisávamos de fato um do outro, o calor nos mantinha, a adrenalina ligava nossos corpos e assim estávamos sedados pela simples presença. Não tinha razão que nos abatesse! E hoje? Ficou apenas os ‘bons tempos’ na memória e o superficial para os olhos e ouvidos alheios. Acontece que, quando o fogo se extingue e o frio inevitavelmente aparece, esta não é a hora de se afastar, mas de se manter junto, porque só o contato e a proximidade hão de elevar a temperatura. Não foi isso que ocorreu. O frio se instalou e o vento do tempo apagou a última chama acesa; sem ela, nem a luz para vermos o caminho nós tínhamos mais, muito menos a luz para vermos um o outro, tanto que o escuro tomou conta de nossas visões. Ainda estávamos ali, juntos... mas pra quem? Por quem? Pra quê?
Era difícil se mover – uma vez parado, o conforto é maior do que na caça, óbvio; maior do que um movimento em direção ao outro. No escuro vazio eu poderia ficar por dias, meses, anos... Mas eu era jovem, e a cada dia era um dia a menos, não queria eu apenas deixar tudo passar diante dos meus olhos. ‘A vida é feita pra se viver’ já diziam os velhos poetas, e a minha eu quero na maior das intensidades. Dois caminhos ali eu tinha: desde que com a ajuda do outro, procuraria o novo e com ele acenderia o fogo mais uma vez – diferente de antes, porque mais do mesmo só alimenta o conformista vazio. Por outro lado, deixaria os restos já há muito apagados da fogueira e procuraria o novo que agora não vejo devido ao escuro. Este diferente deverá me iluminar como nada sentido antes, e me manter por perto quando o primeiro floco de neve ameaçar de cair.
Seja qual for o caminho, ou qual decisão tomar, algo, dentre tudo, deverá ser mantido: agir! Não importa a boca alheia, nem o vento frio e cortante que uma estrada sozinha pode trazer, porque se minha vontade grita, não sou eu que irei calá-la, mas sim o que encontrará a sua recompensa.
[Texto para o projeto "LP"]